COMO CALCULAMOS
Fórmula pública, auditável e versionada
1. Atributos (0–100)
Cada atributo é o percentil do parlamentar dentro da própria casa — deputados só são comparados com deputados; senadores, com senadores.
Economia, Stamina e Técnica são as exceções, todas ancoradas na mediana da casa (= 50). Percentil mede colocação na fila e descarta a magnitude: em dinheiro, quem gastava o dobro da cota de um colega frugal caía só um punhado de pontos, porque quase toda a casa gasta perto do teto. Na presença o efeito era outro — a inclinação seguia a densidade local de colegas, e no Senado, onde a mediana comparece a 92% das votações, o mesmo 1 ponto percentual valia de 0 a 7,5 pontos conforme o senador caísse num aglomerado ou num vazio. Na Técnica o percentil saturava no topo: quem fazia o dobro do trabalho sobre texto de um colega já bem colocado ganhava 1 ponto. Ela usa escala logarítmica, onde cada dobro de trabalho vale o mesmo incremento em qualquer altura da escala. O Ataque segue percentil de propósito: em log, a magnitude do volume bruto voltaria a mandar, desfazendo o motivo de ele pesar menos que a Eficiência.
Por que Fiscalização, Influência, Comando e Alinhamento não pontuam: Influência mediria popularidade, não trabalho — engajamento puro não compra Tier (rende o título "Blogueiro de Plenário"). Comando (comissões, presidências e liderança de bancada) é distribuído por tamanho de bancada e senioridade, não por mérito individual — pontuá-lo enviesaria a nota a favor de veteranos e partidos grandes, contra estreantes. Dentro dele, só quem LIDERA soma (+3, uma vez, ainda que lidere o partido e o bloco que o contém): vice-liderança e representação de bancada são nomeadas na ficha mas valem 0, porque um terço da Câmara ocupa uma delas e peso que quase todos têm não distingue ninguém. E "representante" não vira "líder" aqui: bancada pequena demais para ter liderança indica um representante, e é esse o rótulo que a fonte usa. Fiscalização fica de fora porque fiscalizar o Executivo é, na prática, fazer oposição a ele: na base atual, a oposição protocola em média 192 atos por deputado contra 20 da base do governo (extremos: NOVO 306, PT 3). Se pontuasse, o Poder estaria premiando posição política travestida de entrega legislativa — o ranking passaria a dizer "a oposição trabalha mais", que é uma afirmação política, não factual. Alinhamento fica de fora pelo mesmo motivo: votar com o Governo ou contra ele é posição política, não mérito nem demérito — pontuar isso faria o Poder recompensar um lado do espectro. Todos são exibidos porque informam — aparecem no card e nos títulos — mas ficam fora do Poder.
O que conta como Fiscalização: RIC (requerimento de informação a ministro), PFC (proposta de fiscalização e controle) e requerimentos de convocação de ministro de Estado, no Plenário ou na Comissão — allowlist explícita pelo rótulo oficial da proposição, nunca regex em texto livre. O tipo genérico "Requerimento" sozinho não entra: ele mistura fiscalização de verdade com voto de regozijo ou louvor (2.553 só em 2025), moção, sessão solene e requerimento de audiência pública. Contar o tipo inteiro transformaria voto de elogio em trabalho de fiscalização — por isso a allowlist exclui esses subtipos de propósito.
O recorte de tempo: o que esta legislatura moveu. Um projeto apresentado na legislatura passada que virou lei agora é entrega desta — o marco legal dos jogos eletrônicos nasceu de um PL de 2021 e foi sancionado em 2024. Por isso a Eficiência conta também a matéria antiga cuja tramitação andou nesta legislatura, dos dois lados da conta: ela entra tanto no que o parlamentar tocou quanto no que avançou. A matéria antiga que ficou parada não entra em lado nenhum — esta legislatura não a moveu, e o cemitério de projetos arquivados há anos não deve pesar contra quem está no segundo mandato. Já o Ataque, as Prioridades e a Técnica seguem contando só o ato desta legislatura: apresentar, emendar e ser designado relator são atos com data, e quem apresentou em 2021 não recebe Ataque por isso hoje. A janela para na legislatura anterior (2019–2022).
Nota sobre a Técnica: mede trabalho técnico sobre o texto alheio — relatorias designadas em proposições relevantes mais emendas de autoria (EMC = na comissão, EMP = de plenário, EMR = de relator). O Senado não expõe emendas por autor nos Dados Abertos, então lá o atributo conta só relatorias; o peso do atributo não muda por isso. A relatoria é contada em qualquer ponto da tramitação, não só onde o parlamentar é o relator do momento: uma proposição passa por várias comissões, cada uma com o seu relator, e considerar apenas o último apagava o trabalho de quem relatou antes — desigualmente, porque quem relata cedo, na comissão de mérito, é justamente quem some.
Nota sobre a Economia: o que se compara é o gasto mensal médio durante os meses em exercício, não o total da legislatura — comparar totais faria quem assumiu tarde (ou passou anos licenciado) parecer frugal só por ter estado menos tempo sentado, o mesmo princípio da taxa de voto registrado da Stamina. Ela premia usar pouco da cota, então quem quase não a aciona pontua alto — seja por frugalidade real, seja por baixa atividade. Isso é intencional e tem impacto limitado (peso 12%): quem falta e não trabalha já afunda na Stamina e no Ataque, que a Economia sozinha não resgata. A carta de cada parlamentar traz ainda a quebra da cota por categoria (para onde a verba foi: escritório, passagens, combustível, divulgação…) e o maior fornecedor — tudo informativo: descreve o gasto, mas não altera a nota (que é só o gasto mensal médio). Os valores são líquidos (estornos abatidos), somando o mesmo total da Economia. O fornecedor é agregado pelo CNPJ, não pelo nome: a fonte grava a razão social em texto livre, e um mesmo CNPJ aparece com dezenas de grafias — somar por nome subestimaria a fatia. Nos Insights, o mesmo dado vira o ranking nacional de empresas que receberam da cota (só CNPJ: lançamento em CPF é pessoa física e não entra em ranking público). Quando o maior fornecedor de um parlamentar é pessoa física — em geral o locador do escritório ou um prestador de serviço do gabinete — publicamos o valor, o percentual e o que foi contratado, mas não o nome: a pessoa não é agente público, e o que a informação mede é a concentração do gasto, que o percentual já diz. O lançamento segue público na fonte oficial.
2. Poder — a nota geral (0–100)
Poder = 0.24×Ataque + 0.20×Stamina + 0.28×Eficiência + 0.16×Técnica + 0.12×Economia
Produção legislativa real domina (68%). A Influência (Instagram) é informativa: aparece no card e nos títulos, mas não pontua no Poder — alcance social não é entrega legislativa, e contá-lo penalizava quem trabalha muito e tem pouca rede (enquanto quem nem tem Instagram ficava neutro). Engajamento puro segue sem virar Tier e ainda rende o título "Blogueiro de Plenário"; o oposto — entrega alta com alcance modesto — vira "Operário Silencioso". Quem não tem um atributo que pontua sai da conta e os pesos são renormalizados — ninguém é punido por falta de dado. Nada além dos atributos entra na conta: o Poder não tem penalidade externa — mede o exercício do mandato, e só.
3. Tiers e os gates do Rank S
Poder ≥ 85 não basta para o Tier S: exigimos Stamina ≥ 70, Eficiência ≥ 60, nenhum atributo que pontua no vermelho (qualquer um de Ataque, Stamina, Eficiência, Técnica ou Economia abaixo de 40 — o mesmo limiar que pinta a barra de vermelho na ficha), e nenhum título negativo ativo. Não dá para ser lendário com um atributo crítico. Quem falha num gate é exibido como Tier A com o selo "S bloqueado por [motivo]".
Câmara e Senado usam a mesma fórmula: desde que a tramitação das matérias do Senado passou a ser lida, a casa tem os mesmos cinco atributos que pontuam e os mesmos pesos — o gate de Eficiência ≥ 60 vale para senador também. O que continua separado é o universo do percentil: deputado só é comparado com deputado, senador com senador. As duas casas trabalham em escalas diferentes (o Senado fez 413 votações nominais na legislatura; a Câmara, milhares), então misturá-las numa régua só seria comparar coisas distintas.
A Stamina conta voto registrado, não presença. A distinção existe porque o Senado publica as duas coisas e a Câmara só uma: o dado da Câmara traz apenas o voto efetivo, enquanto o do Senado marca também quem estava no plenário e não votou (“Presente – Não registrou voto”, cerca de 15% dos registros, e 22% nas sabatinas). Se contássemos presença no Senado e voto na Câmara, a mesma palavra mediria coisas diferentes nas duas casas. Abstenção conta como voto — é posição formal, e a Stamina mede se o parlamentar participou, nunca como ele votou. Na ficha do senador as duas taxas aparecem lado a lado.
Quem está licenciado não aparece no site. A lista de parlamentares vem das fontes oficiais das duas casas, e ambas publicam apenas quem está em exercício — a Câmara em /deputados, o Senado na lista de parlamentares em exercício. Um deputado que assume um ministério, uma secretaria ou uma licença longa sai dessa lista, e quem passa a constar na cadeira é o suplente que tomou posse — é ele que você encontra aqui. Não é juízo nosso sobre o afastamento: é a cadeira sendo ocupada por outra pessoa no período que medimos. Se você procurou um parlamentar conhecido e não o achou, esse costuma ser o motivo; a ficha dele volta quando ele reassume e a fonte oficial volta a listá-lo. O ausente é nomeado onde ele faria falta: a página da guilda e a do estado listam quem está licenciado, com a data do afastamento. Só isso — nunca o motivo, porque nenhuma das duas casas o publica (a Câmara devolve o campo de status vazio até para quem assumiu ministério, e inventar o motivo contrariaria a regra de que todo rótulo aqui sai do dado). No Senado, a causa do afastamento é código oficial: só entram os de licença — falecimento, cassação e renúncia encerram o mandato e nunca aparecem como "licenciado".
Mandato parcial fica fora do ranking: quem esteve em exercício efetivo por menos de 12 meses no período — cerca de um ano dos ~41 da legislatura — tem amostra pequena demais para comparar com justiça. Isso cobre tanto posse recente (suplente/efetivado empossado há pouco) quanto licença ou ministério prolongados (parlamentar afastado no Executivo quase o mandato todo). Some da Tier List, das guildas e dos rankings, mas continua no site — página própria, buscável, com selo "sem Tier". Critério 100% factual: soma dos períodos em exercício no histórico oficial da Câmara/Senado, robusto a licenças curtas — não confundir com gastar pouco ou faltar a votações.
"Fora do ranking" vale em todo lugar, não só na Tier List: quem está sem Tier não recebe título, não entra na média da guilda, não pode ser escalado na Batalha, e a imagem de compartilhamento da ficha sai sem Tier e sem Poder — com a faixa do motivo no lugar. O Poder de quem mal esteve em exercício é baixo porque falta mandato medido, não porque o trabalho foi ruim; deixá-lo circular numa imagem, longe desta explicação, seria publicar a conclusão errada.
Presidência da Casa também fica fora do ranking: quem preside a Câmara ou o Senado não vota (salvo desempate/secreto), nem autora ou relata como os demais — o cargo institucional suprime justamente a atividade que medimos (Stamina, Ataque, Técnica de uma vez). Comparar o presidente a um deputado de bancada seria injusto, então ele sai do ranking com selo "sem Tier", pela mesma lógica do ministro licenciado. Detectado nos órgãos oficiais (Mesa Diretora, cargo Presidente); quem presidiu antes nesta legislatura entra por registro público.
4. Títulos dinâmicos
Concedidos automaticamente por regras factuais sobre os dados. Os selos críticos trazem, na carta do parlamentar, o número bruto que os disparou e a mediana da casa — o gate é percentílico, mas o rótulo fala em termos absolutos, então o dado tem que estar à vista. Discorda de um número? Peça correção. As regras exatas:
5. Prioridades — “no que trabalha”
As duas casas publicam a classificação temática oficial de cada proposição: a Câmara com 32 temas em lista plana, o Senado com uma hierarquia de 10 macro-classes e 63 classes. Nós não classificamos nada — apenas traduzimos os dois vocabulários oficiais para os 20 rótulos comuns abaixo, para que uma guilda de bancada mista some uma coisa só. Esse mapa é decisão nossa, e por isso está publicado aqui e no repositório (scripts/lib/temas.mjs).
Onde houver um parágrafo escrito por IA, ele vem marcado como tal, com o modelo, a data e o link para o prompt no repositório. Esse texto é interpretativo e fica deliberadamente separado: os números ao lado são a classificação oficial, e o prompt proíbe a IA de citar qualquer quantidade que não esteja na tabela. Se os números mudarem, o texto some da página até ser refeito — análise velha nunca é exibida ao lado de dado novo.
6. “Virou lei” — o desfecho
O resto do site mede atividade: quanto se apresentou, quanto andou, sobre o quê, quanto se gastou. Esta seção mede desfecho — a proposição de autoria principal que foi transformada em norma jurídica. É o dado mais duro do site e o mais raro: a maioria dos parlamentares não tem nenhum.
7. Candidatura 2026 — o que o chip diz (e o que ele não diz)
O chip 🗳️ Concorre em 2026 nomeia o cargo para o qual o parlamentar registrou pedido de candidatura, segundo o arquivo público de candidaturas do TSE (Dados Abertos, licença CC-BY). É informação factual, como partido e UF: não pontua no Poder, não gera título e não interfere em Tier nem em gate — e não tem cor de status, porque concorrer não é mérito nem falta.
8. De onde vêm os dados
Dados reais, atualizados em 2026-09-03. Fontes: Dados Abertos da Câmara (autorias, votos nominais, normas geradas, relatorias, emendas, requerimentos de fiscalização, orientação das bancadas, cota CEAP, ficha civil, comissões) e do Senado (autorias, votações, relatorias, CEAPS, comissões); Instagram (contagem pública de seguidores dos perfis oficiais). Quem não tem um dado simplesmente fica sem o atributo, com os pesos renormalizados.
9. Auditar por conta própria
Nada nesta página é uma promessa que só nós podemos verificar: o código é aberto, sob licença MIT, em github.com/vitordemboski/plenaria. O mesmo programa que baixa os dados oficiais é o que calcula os atributos, os tiers e os títulos — e os pesos exibidos aqui saem do mesmo arquivo usado no cálculo, não de um texto mantido à parte. Quem quiser conferir clona o repositório, roda a ingestão e compara.
Achou divergência? Escreva ou abra uma issue no repositório. Erro de dado é corrigido e o que dele deriva — título, tier, ranking — cai junto.